Diagnóstico da Síndrome do Intestino Irritável.
Ferramenta de auxílio médico. Não substitui julgamento clínico.
É definida como um Distúrbio da Interação Intestino-Cérebro. Para o diagnóstico clínico, o critério central é a presença de dor abdominal recorrente, que deve ocorrer, em média, pelo menos 1 dia por semana nos últimos 3 meses.
Essa dor deve estar associada a dois ou mais dos seguintes critérios:
-Relação com a defecação: A dor pode aumentar, diminuir ou permanecer inalterada com a evacuação (ao contrário de Roma III, que citava apenas "melhora").
-Mudança na frequência das fezes: Associação com alteração no número de evacuações.
-Mudança na forma (aparência) das fezes: Associação com alteração na consistência das fezes.
Nota Importante: O termo "desconforto" foi removido dos critérios de Roma IV por ser inespecífico e de interpretação variada entre diferentes culturas.
A SII é classificada em quatro subtipos principais, baseados na predominância da consistência das fezes (Escala de Bristol) apenas nos dias em que o hábito intestinal está alterado (anormal).

É classificada dentro dos distúrbios gastroduodenais que envolve os seguintes sintomas dispépticos principais: plenitude pós-prandial, saciedade precoce, dor epigástrica e queimação epigástrica.
Para o diagnóstico, os sintomas devem ter tido início há pelo menos 6 meses e estarem presentes nos últimos 3 meses.
De acordo com Roma IV, a dispepsia funcional é dividida em duas síndromes principais. É reconhecido que estas síndromes podem se sobrepor no mesmo paciente.
Os critérios para os subtipos são:
-Síndrome do Desconforto Pós-prandial (Postprandial Distress Syndrome - PDS): Caracterizada pela presença de plenitude pós-prandial incômoda e/ou saciedade precoce que ocorrem pelo menos 3 dias por semana.
-Síndrome da Dor Epigástrica (Epigastric Pain Syndrome - EPS): Caracterizada pela presença de dor epigástrica incômoda e/ou queimação epigástrica que ocorrem pelo menos 1 dia por semana.
É classificada como um Distúrbio da Interação Intestino-Cérebro (DGBI). É uma condição multifatorial que envolve não apenas alterações de motilidade, mas também hipersensibilidade visceral, função mucosa alterada, microbiota intestinal e/ou processamento do sistema nervoso central.
O diagnóstico é confirmado quando os sintomas abaixo tiveram início há pelo menos 6 meses e estiveram presentes nos últimos 3 meses.
O paciente deve apresentar dois ou mais dos seguintes critérios:
-Esforço evacuatório em mais de 25% das defecações.
-Fezes endurecidas ou grumosas (Escala de Bristol tipos 1 ou 2) em mais de 25% das defecações.
-Sensação de evacuação incompleta em mais de 25% das defecações.
-Sensação de obstrução/bloqueio anorretal em mais de 25% das defecações.
-Uso de manobras manuais para facilitar a defecação (ex: evacuação digital, pressão no assoalho pélvico) em mais de 25% das defecações.
-Menos de três evacuações espontâneas por semana.
-Fezes amolecidas raramente estão presentes sem o uso de laxantes.
-Não existem critérios suficientes para o diagnóstico de Síndrome do Intestino Irritável (SII).
-Sobreposição com a SII-C: Em Roma IV, os distúrbios funcionais são vistos como um continuum. Pode haver sobreposição entre a Constipação Funcional e a Síndrome do Intestino Irritável com predominância de constipação (IBS-C). A diferenciação chave é a presença obrigatória de dor abdominal recorrente para o diagnóstico de SII, que não é o sintoma predominante na constipação funcional isolada.
-Constipação Induzida por Opioides (OIC): Roma IV adicionou esta condição como uma entidade diagnóstica separada da constipação funcional genérica, devido à sua etiologia específica e alta prevalência em pacientes em uso crônico dessas substâncias.