Risco de varizes e descompensação.
Ferramenta de auxílio médico. Não substitui julgamento clínico.
O Consenso de Baveno VII consolidou o uso de um modelo combinado não invasivo para a avaliação da Hipertensão Portal Clinicamente Significativa (HPCS) em pacientes com Doença Hepática Crônica Avançada compensada (cACLD).
Este modelo integra dois parâmetros chave:
-Medição da Rigidez Hepática (LSM): Avaliada por elastografia, reflete o grau de fibrose estrutural.
-Contagem de Plaquetas (PLT): Serve como um marcador indireto de hipertensão portal (devido ao hiperesplenismo).
A função principal deste modelo é estratificar o risco e permitir o diagnóstico não invasivo da HPCS, identificando pacientes com maior risco de descompensação hepática.
O Baveno VII propõe critérios específicos para "excluir" (rule-out) ou "concluir" (rule-in) a presença de HPCS:
-Critério para Exclusão de HPCS ("Rule-out"): Pacientes com Rigidez Hepática (LSM) ≤ 15 kPa E Contagem de Plaquetas (PLT) ≥ 150 G/L (ou 150.000/µL) têm uma probabilidade muito baixa de apresentar HPCS.
-Critério para Confirmação de HPCS ("Rule-in"): Pacientes com Rigidez Hepática (LSM) ≥ 25 kPa são considerados portadores de HPCS, independentemente da contagem de plaquetas.
A principal aplicação prática destes marcadores não invasivos no Consenso de Baveno é definir a necessidade de rastreio para varizes esofágicas. Pacientes compensados que apresentam Rigidez Hepática (LSM) < 20 kPa E Contagem de Plaquetas > 150.000/µL têm um risco muito baixo (<5%) de apresentar varizes de alto risco que necessitem de tratamento. Portanto, nestes casos, a Endoscopia Digestiva Alta (VEDA) de rastreio pode ser evitada no momento e substituída pelo monitoramento anual dos exames não invasivos. Caso o paciente não cumpra estes critérios (ou seja, se apresentar LSM ≥ 20 kPa OU Plaquetas ≤ 150.000/µL), a EDA de rastreio permanece indicada.